Um novo estudo da Universidade de Oxford analisou mais de 200 mil prontuários de saúde nos Estados Unidos e identificou uma possível ligação entre a vacina recombinante Shingrix e um menor risco de desenvolvimento de demência. Segundo os pesquisadores, pessoas vacinadas apresentaram 17% menos diagnósticos da doença nos seis anos seguintes, o que representa, em média, 164 dias a mais sem sinais de demência em comparação com quem recebeu a vacina atenuada Zostavax.
O efeito foi ainda mais expressivo entre as mulheres, que viveram cerca de 222 dias livres da doença, enquanto entre os homens a média foi de 122 dias.
Por que essa diferença entre homens e mulheres?
Pesquisadores sugerem que a resposta imunológica mais forte nas mulheres pode potencializar o chamado “efeito treinado” da vacina, ajudando a reduzir a neuroinflamação associada à reativação do vírus varicela-zóster. Estudos observacionais de outros países, como Austrália e País de Gales, também registraram uma redução entre 16% e 30% no risco de demência entre pessoas vacinadas, reforçando a hipótese de um efeito protetor.
O que dizem os especialistas?
Os autores destacam que o estudo é observacional e, portanto, não comprova relação direta de causa e efeito. Para confirmar se a vacina realmente previne ou apenas retarda o início da demência, seriam necessários ensaios clínicos randomizados.
Até lá, a recomendação segue a mesma: a vacina contra herpes-zoster é indicada para pessoas acima de 50 anos, especialmente para evitar a neuralgia pós-herpética.
Em resumo:
A vacina Shingrix pode estar associada a menor risco e início tardio da demência — sobretudo entre mulheres —, mas os resultados ainda são preliminares e exigem estudos mais aprofundados antes que a vacinação seja considerada uma forma de prevenção da doença.
Fonte: OKARIRI

