Ciro e Elmano focam em segurança pública e discutem combate às facções e violência contra a mulher

Ciro Gomes (PSDB) e Elmano de Freitas participaram de mais um debate que marca a disputa pelo governo do Ceará, nesta terça-feira (15). O debate foi realizado pelo Sistema Jangadeiro, em Fortaleza, em parceria com o Uol.

Entre diversos temas, o petista e o tucano voltaram a focar nos problemas e propostas relacionados à segurança pública do estado, especialmente a violência contra as mulheres e o combate às facções criminosas.

O debate foi dividido em três blocos:

  • 1º bloco: os candidatos fizeram perguntas sobre temas livres. Eles tinham 40 segundos para a pergunta, 1m30s para a resposta e 1 min para réplica e tréplica.
  • 2º bloco: os candidatos responderam a perguntas feitas pelo jornalista do UOL, Carlos Madeiro. Os candidatos tinham 1m30s para a resposta, enquanto o adversário tinha 1 min para um comentário. Quem respondeu tinha 1 min de réplica.
  • 3º bloco: a dinâmica foi similar à da primeira etapa. Os candidatos fizeram perguntas sobre temas livres. Eles tinham 40 segundos para a pergunta, 1m30s para a resposta e 1 min para réplica e tréplica. Neste último bloco, os candidatos tiveram dois minutos para considerações finais.

“Eu tenho uma absoluta convicção que a ação mais importante no próximo governo é espalhar a Patrulha Maria da Penha para fazer o acompanhamento da mulher que faz o pedido de medida protetiva e acompanhar o agressor. Porque nesses casos, há uma diminuição de reincidência de 90%. Portanto, mais Patrulha Maria da Penha para as mulheres”, destacou Elmano.

“Distribuir um botão de pânico, que ela aperta e a viatura mais próxima acorde para prevenir o assassinato. Você tem também a condição, no limite, de deslocar a mulher e suas crianças para uma casa, para um apartamento protegido pelo governo, sem que a mulher pague nada, até que a Justiça defina com clareza a segregação definitiva daqueles que fazem essa ameaça”, prometeu Ciro.

Primeiro bloco

No primeiro bloco, os candidatos podiam fazer perguntas um ao outro sobre temas livres. O primeiro a perguntar foi Ciro Gomes, que escolheu déficit fiscal.

“A grande questão é, se não houver conta pública sadia, não se pode mudar a segurança, não se pode qualificar a saúde, não se pode enfrentar o desenvolvimento perdido pelo Estado do Ceará. E essa é a grande questão que vai explicar tudo mais, porque qualquer promessa sem dinheiro é mentira. Como é que você explica isso, Elmano?”, perguntou Ciro.

“Bom, primeiro, é bom falar do diagnóstico correto das contas do Estado do Ceará. Você, cidadão cearense, está nos acompanhando. No Brasil, o Ministério da Fazenda, através da Secretaria do Tesouro Nacional, avalia as contas dos estados. O Estado do Ceará e mais seis estados são os únicos com a nota [Capacidade de Pagamento] Capag A+, é a maior nota de equilíbrio fiscal que o Estado pode ter”, respondeu Elmano.

Elmano foi o próximo a perguntar. Ele questionou Ciro sobre a condenação por política de gênero.

“Essa semana, saiu uma nova decisão confirmando sua condenação por violência política de gênero. Eu lhe pergunto, você vai pedir desculpa? Você vai reconhecer a sua violência política praticada, que você sabe que foi condenado?”, questionou Elmano.

“Eu nunca fui condenado de forma transitada em julgado. Ele é advogado, sabe com que leviandade está se comportando. Eu pretendo, como eu prometi a vocês, resolver o problema das delegacias das mulheres. Tem uma lei que determina que todas as cidades cearenses com mais de 60 mil habitantes sejam objeto da sede de uma delegacia especializada das mulheres. Nunca cumpriram o mandato, muito papo furado”, respondeu Ciro.

Na sequência, Ciro questionou sobre as 150 mil famílias atípicas do Ceará. “Elmano, por que o seu governo não se tocou da existência de 150 mil famílias atípicas no Estado do Ceará? Por que vocês não fizeram nada nesse setor?”, perguntou Ciro.

Segundo bloco

No segundo bloco, os candidatos responderam perguntas feitas pelo jornalista Carlos Madeiro, do Uol.

O primeiro questionado foi Ciro Gomes. O jornalista perguntou a Ciro sobre a relação com o irmão, Cid Gomes. Ciro foi questionado se chamou o irmão de “traidor” e se o perdoaria.

Ciro Gomes se recusou a responder.

Na sequência, o jornalista questionou Elmano sobre os impactos ambientais do Data Center em Caucaia.

“[Os projetos] somam um consumo de energia maior do que todas as residências cearenses. Ainda assim, eles estão sendo licenciados por meio de relatórios simplificados e, segundo entidades, sem estudos de impacto cumulativo. O senhor não teme os danos alertados por eles que esses data centers podem causar?”, questionou o jornalista.

“O Ceará, todas as suas casas, todas as suas fábricas, todo o seu comércio, consome 1.5 giga de energia. 1.5. E a gente produz de energia renovável 4.5 gigas, com possibilidade de rapidamente chegar a 10. Portanto, o Ceará tem abundância de energia. Para nós cearenses, nordestinos, o parque industrial brasileiro sempre ficou no sudeste e nós temos agora a possibilidade com essa energia de matriz renovável atrair para cá os investimentos”, respondeu Elmano.

Depois, o jornalista questionou Ciro sobre a proposta de acabar com as facções no Ceará, uma vez que os grupos criminosos estão presentes em todos os estados.

“Como o senhor pretende alcançar esse resultado inédito do país? Como garante, por exemplo, que ações desse porte, tão grandes que o senhor promete, não vão aumentar a violência policial que já é sentida e reclamada nas comunidades pobres que hoje são dominadas pelos traficantes?”, perguntou Carlos Madeiro.

“O que eu pretendo é restaurar o domínio da autoridade perdida pelo Estado do Ceará nos territórios de 80% dos lugares do Ceará. Isso é o que eu pretendo e vou buscar. Veja por que eu tenho segurança de propor uma coisa audaciosa. Eu conheço o exemplo de Goiás. Lá, os homicídios foram reduzidos a uma fração mínima, quase semelhante às frações europeias. Boa parte da tecnologia aplicada lá é um cearense que procurou colaborar aqui e foi banido”, respondeu Ciro.

O jornalista questionou Elmano sobre o domínio territorial de facções que especialistas apontam que datam, de maneira mais significativa, na década passada, quando o Ceará já era governado pelo grupo político cujo petista faz parte.

“O senhor não concorda que a escalada de mortes a partir da última década não seria o marco dessa tomada e mudança do perfil das facções e que o Estado na época, que tinha o governo de um grupo que o senhor faz parte, demorou e não conseguiu reagir a elas?”. questionou Carlos Madeiro.

“Eu concordo que nós não tínhamos a Lei Anti-facção que o presidente Lula aprovou. E é nesse período que o Ciro fazia parte desse projeto e não dizia nada. Que ele fazia parte desse projeto, inclusive foi ajudar na segurança pública e fracassou e teve mais de 4.300 homicídios no ano que ele foi ajudar na segurança pública. Portanto, isso não se resolve com discurso e com bravata. Isso se resolve com trabalho, com integração, aplicando a lei anti-facção”, respondeu Elmano.

O jornalista questionou Ciro sobre a aliança dele com candidatos bolsonaristas, como o deputado estadual Alcides Fernandes (PL), que concorre ao Senado, mesmo sem declarar apoio público a Flávio Bolsonaro, que concorre à presidência.

Terceiro bloco

No terceiro e último bloco, foram realizadas duas rodadas de perguntas entre os candidatos, com tema livre. O primeiro a perguntar foi Elmano de Freitas.

“Eu queria entender quais são as suas propostas para aumentar a possibilidade do nosso povo ter emprego, ter renda e ter vida melhor?”, perguntou o petista a Ciro Gomes.

“Eu pretendo promover um projeto de desenvolvimento regionalizado, que começa por identificar que é um pouco a minha especialidade intelectual, especializações, vantagens comparativas. E hoje você tem algumas potencialidades que nós vamos qualificar nesse esforço”, respondeu Ciro.

Na sequência, o tucano também questionou sobre geração de empregos.

“Qual é a proposta que vocês têm para botar no lugar deste banimento dos incentivos fiscais que alcançam, inclusive, os grupos cearenses?”, perguntou Ciro ao petista.

“O Ceará é o maior polo calçadista do Brasil. A cada 100 pares de sapato, 25 são produzidos aqui. Desde quando? Desde que o Elmano é governador do Ceará, porque ampliou o número de empregos nesse setor. O Ceará está fazendo a Transnordestina; nós já temos em Quixeramobim, o investimento de R$ 500 milhões de um porto seco. Nós estamos investindo em tecnologia com o Data Center”, respondeu Elmano.

Na sequência, Elmano questionou a Ciro sobre as universidades estaduais. “Eu queria saber qual é a sua política para o ensino superior do estado do Ceará para a nossa juventude”, disse o petista.

“Eu quero qualificar o ensino superior do Ceará da forma como eu comecei lá atrás. A nossa Uece, eu consegui que ela desenvolvesse um projeto estratégico para ela. Eu vou voltar a provocá-la no sentido melhor, que é a palavra mais generosa que a palavra tem, para que ela se defina estrategicamente qual é o projeto dela para cá. Eu continuo pensando que essa é a grande percepção que nós temos que dar ao sistema universitário do Ceará: continuar interiorizando. A UVA e a URCA tiveram concursos importantes, inclusive para mestrado e doutorado, dando outro upgrade, um outro status para essas universidades, que também têm tido um papel muito importante para todos nós cearenses”, respondeu Ciro.

onsiderações finais

Encerrando o terceiro bloco, os candidatos tiveram 2 minutos para as considerações finais. Veja abaixo as falas na íntegra.

O primeiro a falar foi Ciro Gomes:

“O Bebeto do Choró foi apoiado pelo Elmano. Depoimento, você pode ver nas minhas redes, Antônio Delmiro, candidato a prefeito do PT contra o Bebeto do Choró, procurou o Elmano, o Elmano se recusou a apoiá-lo e ele está denunciando isso nas minhas redes. Você pode ver. Isso acaba com uma candidatura. Em país sério, minimamente sério, não se fica isso. Mas eu quero concluir. Eu quero agradecer ao sistema jangadeiro, ao UOL, agradecer ao Elmano a presença e especialmente meu irmão, minha irmã, agradecer a você. Aqui foram ficando muito claras as posições. Uma pessoa, que é o Elmano, quer que você mantenha tudo como está. E eu proponho que o Estado do Ceará precisa mudar. A mudança que eu proponho tem eixo. É uma mudança na segurança pública, trocar aparato por inteligência, ele fala que tem inteligência. Veja, dois casos em que a facção estava casado com a PM. A inteligência do Elmano nem sequer consegue evitar a infiltração da facção dentro da Polícia Militar. São os dois soldados que foram assassinados e os três vereadores presos em Sobral. Você também pode pesquisar na rede. Eu quero reorganizar toda a questão da saúde pública, começando com o mutirão para zerar as emergências da fila de regulação e moralizar essa fila de regulação de uma vez por todas. Você vai saber, pelo WhatsApp ou por um aplicativo que nós vamos criar, qual é o seu lugar na fila, qual é o prazo e quanto tempo você vai ser atendido. Eu quero mudar a concepção estratégica de desenvolvimento do Ceará, estabelecer uma regionalização desse desenvolvimento. A Transnordestina, que eu tirei do papel por delegação do presidente Lula, fui presidente da Transnordestina, fui eu que fiz a curva, entrei em Missão Velha, eu era o presidente, cheguei lá em Lavras da Mangabeira, quem fez as desapropriações foi o Cid, enfim. E eu tenho orgulho de ter também por detrás desse projeto. E é isso que eu quero de você. Que Deus lhe abençoe, que lhe ilumine, se proteja, as suas ações criminosas estão todas em socorro dessa gente para manter o que está aí, que é a impunidade que eles gozam e eu preciso de você”, declarou Ciro.

Depois, foi a vez de Elmano de Freitas:

“Querido povo cearense, essa eleição você vai escolher entre dois projetos. O candidato da oposição não reconhece nenhum avanço. Para ele ter tratamento do câncer no interior não é avanço. Para ele ter a politraumatologia em Quixeramobim, no Vale do Jaguaribe, não representa avanço. Para ele ter um grande hospital com mais de 800 leitos para fazer cirurgia complexa para o povo mais humilde, não é avanço, porque ele não precisa. Se ele precisasse, ele ia entender que é um avanço. Para ele não é avanço, o Estado será terminar esse governo com todos os alunos, com escolas para estudar em tempo integral. Para ele não é avanço um plano de cargos e carreiras, que um professor entra ganhando R$ 7,1 mil e vai se aposentar com mais de R$ 20 mil se ele fizer doutorado. Quando ele era governador, pagava um salário mínimo. Para ele não é avanço o campo de Campos Sales, de Camocim, de Canindé, o campo de Acaraú, porque para ele isso não é avanço. Você sabe que o Ceará tem hoje a menor taxa de desemprego do Brasil, crescimento econômico maior do que o Brasil, a Transnordestina sendo concluída, data centers chegando, nossos jovens sendo formados na área da tecnologia, mais de 170 mil jovens, 400 mil pessoas sendo retiradas da extrema pobreza. Agora nós temos muita coisa para fazer. Eu sou de um projeto que sabe que o Ceará precisa de um Ceará cada vez mais forte. Forte para ter mais saúde, forte para investir mais na segurança e enfrentar o crime organizado. Agora com a Lei Anti-facção, que de fato tem uma lei para enfrentar a facção, ele, deputado federal, não apresentou uma lei na área para enfrentar a facção. Aliás, não apresentou lei, foi para nada, em quatro anos de trabalho, se é que trabalhou. Então nós somos o Ceará, um projeto que quer um Ceará mais forte e é mais forte para você. Com mais saúde, com mais emprego, com mais segurança, com mais educação, com mais oportunidade”, declarou Elmano.

FONTE: G1-Ceará