O governo brasileiro voltou a se posicionar contra a ação armada dos Estados Unidos na Venezuela, que resultou no sequestro do presidente Nicolás Maduro e da primeira-dama Cilia Flores. Durante reunião de emergência do Conselho de Segurança da ONU, o embaixador do Brasil, Sérgio Danese, afirmou que o episódio representa um risco direto à paz na América do Sul.
Segundo o representante brasileiro, a operação norte-americana ultrapassou uma “linha inaceitável” ao ferir princípios do direito internacional e desrespeitar a Carta das Nações Unidas, que veda o uso da força contra a soberania e a integridade territorial de outros Estados. Danese destacou ainda que experiências anteriores de intervenções militares no continente resultaram em autoritarismo, violações de direitos humanos e instabilidade regional.
O Brasil defendeu que o futuro da Venezuela deve ser definido exclusivamente pelo seu povo, por meio do diálogo e sem interferências externas, sempre dentro do marco legal internacional.
Além do Brasil, Colômbia e Cuba também condenaram a ação dos Estados Unidos. A representante colombiana alertou para possíveis impactos humanitários e regionais, incluindo o agravamento da crise migratória. Já o embaixador cubano acusou Washington de tentar controlar recursos naturais venezuelanos, especialmente o petróleo, e rejeitou alegações de envolvimento secreto de Cuba no país.
Em posição contrária, a Argentina manifestou apoio à ação militar, classificando o sequestro de Maduro como uma iniciativa contra o narcoterrorismo e uma oportunidade para restaurar a democracia na Venezuela. O embaixador argentino mencionou ainda o reconhecimento de Edmundo González Urrutia como presidente eleito e o asilo concedido a opositores do governo venezuelano.
Fonte: EBC

