Após meses de tensão entre Brasil e Estados Unidos, Donald Trump surpreendeu ao chamar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva de “cara legal” na Assembleia Geral da ONU e sinalizar uma reunião para a próxima semana.
Lula disse estar otimista, afirmou que tratará o americano “com respeito” e destacou que espera uma conversa civilizada.
Segundo Dawisson Belém Lopes, professor da UFMG, o gesto de Trump foi um “golpe duro” para a oposição bolsonarista, que sustentava a ideia de que apenas a direita teria acesso ao republicano. O especialista avalia que Lula deve manter posição defensiva e não abrir mão de sua agenda, especialmente em relação à anistia de Jair Bolsonaro, condenado pelo STF.
Na mesa de negociações, os EUA têm interesse em temas como regulação das big techs e acesso a terras raras no Brasil. Para o professor, o governo brasileiro não deve fazer concessões a qualquer custo, mas negociar em pé de igualdade.
Lopes reforça que Lula não vai de “peito aberto” ao encontro e que a diplomacia brasileira atuará com cautela para evitar constrangimentos, como já ocorreu com outros líderes mundiais em reuniões com Trump.

